sábado, 20 de fevereiro de 2010

Relatório das aulas 71 e 72

Francisco Teixeira
Nº 9, Turma A




Relatório de aula

Aulas Nº 71 e 72


Iniciámos a aula por abrir a lição e definir o sumário e os objectivos da mesma.
De seguida concluímos o estudo da interculturalidade ao distinguirmos aquilo que é a tolerância relativista, daquilo que é a tolerância intercultural, e a professora, com a participação de turma, definia a primeira como passiva, indiferente e ilimitada, e a segunda como activa, preocupada e limitada.
Depois a professora leu o exercício 19 da página 23 do caderno de actividades, e após informar-nos mais sobre a mutilação genital feminina, mandou-nos pensar qual o ponto de vista que melhor responde a este problema (o etnocentrismo, o relativismo, ou a interculturalidade).

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Correcção do 3º teste

Escola Secundária com 3º ciclo D. Manuel I - Beja
Ano lectivo 2009 / 2010
FILOSOFIA
10º Ano, turma A

Correcção do 3º Teste de Avaliação – 4 Fev 2009

Grupo I
(5 pontos cada = 50 pontos)
1. D
2. A
3. D
4. G
5. F
6. E
7. F
8. D
9. A
10. E


Grupo II
1. “Este bolo é amargo” é um juízo de valor (5 pontos) porque avalia o sujeito “bolo” atribuindo-lhe um predicado (“amargo”) tal que não permite a verificação do valor de verdade do juízo. (10 pontos) Trata-se de uma apreciação subjectiva, dependente de quem prova o bolo e, portanto, discutível. (5 pontos)
2.1. O juízo apresentado é representativo de uma perspectiva axiológica objectivista (5 pontos), uma vez que nos apresenta um valor – a beleza – como uma qualidade que existe nos próprios objectos, independentemente da valoração humana. Do ponto de vista deste juízo, o valor existe na dependência dos objectos e não na dependência do sujeito humano, como pretende o subjectivismo axiológico. (15 pontos)
3. Os fundamentos do ontologismo platónico são a existência de um mundo imaterial, eterno e imutável das ideias entre as quais se encontram ideias de valores (10 pontos) e a existência de almas imortais originárias desse mundo inteligível, onde contemplaram os valores. (10 pontos)
4. O relativismo defende que cada cultura só deve ser avaliada a partir de dentro e, assim sendo, os juízos de valor de diferentes grupos culturais, por mais opostos que sejam, são igualmente válidos no seu contexto próprio. (10 pontos). Esta concepção relativista, claro está, é incompatível com uma concepção de juízos de valor absolutos: um juízo de valor não pode, ao mesmo tempo, ser verdadeiro independentemente dos contextos em que é enunciado e ter um valor de verdade relativo. (10 pontos)
5. O juízo a) - “A escravatura é uma prática horrenda que ainda hoje é praticada por alguns povos atrasados” - é o juízo etnocêntrico, porque o etnocentrismo é um ponto de vista sobre a diversidade cultural que toma como modelo de referência de práticas correctas a sua própria cultura. (10 pontos) Ao afirmar-se que a escravatura é uma prática horrenda e que os povos que a praticam são atrasados, alguém está a avaliar uma cultura diferente da sua a partir dos valores da sua própria cultura. (10 pontos)




Grupo III
(50 pontos)

Introdução (5 pontos)
Corpo de desenvolvimento (40 pontos):
- Correcta exposição de conteúdos adequados ao tema;
- Apropriação pessoal dos conteúdos;
- Opiniões fundamentadas;
- Relação coerente das ideias apresentadas;
Conclusão pessoal e/ou crítica (5 pontos)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Relatório das aulas 67 e 68

Miguel Covas Lima
Nº18 Turma A

Relatório de aula

Aulas nº 67 e 68

02/02/2010



A aula foi iniciada com uma chamada oral, com o objectivo de fazer uma síntese dos conteúdos anteriormente leccionados, sendo preciso a sua compreensão para um melhor entendimento do que viriam a ser as tarefas propostas.
De seguida, foi assim apresentado o objectivo da aula, que passaria por comparar relativismo e interculturalidade. Sendo assim, a interculturalidade foi apresentada como uma alternativa ao relativismo, já que a posição deste não nos permite fundamentar convenientemente o modo como agir. Apesar do relativismo se encontrar, em princípio, em consonância com o modelo de sociedade multicultural, ele não nos parece ser capaz de responder eficazmente aos problemas concretos que a mesma comporta. Precisamente porque os problemas culturais parecem exigir outro tipo de resposta, surgem actualmente propostas que defendem o diálogo intercultural, a cooperação solidária e a defesa da dignidade humana como princípios universais.
Define-se, pois, uma nova atitude que pretende ser intercultural. Sendo assim, a interculturalidade segue determinados parâmetros: reconhece a natureza plural e diversificada da cultura humana, promove o contacto entre as diferentes culturas porque parte do pressuposto de que é possível a compreensão entre si, acredita que há vínculos que unem as diferentes comunidades, defende que é possível compartilhar valores e estabelecer normas de convivência, assumir a universalidade dos direitos humanos, exige a prevenção de conflitos e aposta na educação de valores universais. A interculturalidade promove assim a integração e a interacção, partindo do pressuposto de que a humanidade ganha com a diversidade cultural, propondo assim o contacto e o diálogo entre as diferentes culturas no sentido de estas se enriquecerem mutuamente.
De seguida analisámos o texto 16 da página 107, que apoia a tese da interculturalidade. Neste texto a filósofa francesa Monique Canto-Sperber apresenta uma crítica à atitude relativista: aceitar que cada cultura defina para si própria as suas normas, as suas regras e os seus horrores não é desejável. No entanto, não deixa de reconhecer a importância do contexto cultural. O universalismo que propõe não é o da definição de um conjunto de normas abstractas, sem conteúdo, isto é, sem considerar os valores, as crenças, as ideias (sempre diferentes) dos homens. É, pelo contrário, um universalismo que tem em conta o contexto (cultural, social, histórico) em que vivemos. Trata-se de uma solução intermédia, entre a tendência para defender apenas o contexto particular e cultural do indivíduo e a tendência, de algumas outras posições, para delimitar normas e princípios tão gerais e abstractos que são difíceis de concretizar na vida prática. A solução intermédia, proposta pela filósofa, assenta na ideia de que existe um conjunto de valores essenciais e universais, subjacente a todas as culturas, ainda que, considerando a diversidade de contextos, se manifeste de modos distintos.
Por fim, no último tempo de aula a professora decidiu tirar dúvidas que os alunos tivessem, já que o teste realizar-se-á na aula seguinte.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Relatório das aulas 65 e 66

Bento Caldeira de Quadros e Costa
Nº 6 10º A

Relatório de Aula
Aulas nº 65 e 66
28 de Janeiro de 2010





A aula foi iniciada como já vai sendo habitual com a indicação dos objectivos de aula. Neste dia os objectivos foram a questionação dos limites da tolerância e a relação entre critério universais, tolerância e juízos de valor absolutos.
Após a professora ter ditado os objectivos de aula, a professora questionou os alunos sobre alguns conteúdos trabalhados na aula passada. Neste caso estas questões foram sobre o significado de cultura e as manifestações culturais.
Realizámos ainda um pequeno esquema já envolvendo o primeiro objectivo da aula, sobre a valoração, onde se divide os juízos de valor em juízos de valor absolutos e juízos de valor relativos. Os juízos de valor absolutos são próprios de uma atitude etnocêntrica, que acredita na universalidade dos seus próprios valores culturais (o que é contraditório, porque estes são particulares, são os valores específicos de um grupo). Os juízos de valor relativos, como o próprio nome indica, são próprios de uma visão relativista da cultura. Se considerarmos um juízo de valor como absoluto, então o seu valor verdade será independente de quaisquer contextos. Se considerarmos um juízo de valor como relativo então afirmamos que a sua validade depende e varia conforme os contextos.
A multiculturalidade foi outro conceito que desenvolvemos nesta aula. Este indica-mos a co-existência de grupos culturais distintos. Por exemplo, numa grande cidade podemos encontrar várias culturas distintas.
O relativismo apela à tolerância. Sendo a tolerância defendida pelo relativismo pacífica, mas também passiva e indiferente. Criticámos esta noção de tolerância, afirmando a importância da tolerância ser activa e preocupada e afirmando também a importância de definir limites que nos indiquem até que ponto devemos ser tolerantes. Avançou-se a hipótese do limite da tolerância corresponder ao respeito pelos direitos humanos. Se assim for, podemos tolerar qualquer prática cultural, por muito estranha que nos pareça, desde que não viole direitos humanos. Esta crítica irá conduzir-nos ao estudo de uma terceira perspectiva: a multiculturalidade.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Diana Macedo - 3º Trabalho de reflexão filosófica

“A Problematicidade dos Valores”

Diana Macedo
Nº 8

10º A


Desde os tempos mais remotos que o ser humano sente a necessidade de atribuir um determinado valor a todos os objectos e situações. De facto, os valores têm um papel fundamental e imprescindível na vida humana, uma vez que eles funcionam como uma bússola da acção humana, influenciando as nossas decisões, os nossos projectos de vida e até a nossa visão sobre a sociedade e este complexo mundo que nos rodeia. Um mundo desprovido de valores não deixaria assim lugar para a existência humana, visto que a prática constante da valoração é uma das condições inerentes a esta. A tudo aquilo que observamos ou sentimos atribuímos imediatamente um valor e é este que irá guiar as nossas futuras acções relativamente ao objecto valorado. No entanto, à medida que a nossa experiência valorativa aumenta, rapidamente nos apercebemos de que, perante um mesmo objecto, diferentes pessoas fazem diferentes valorações, consoante as suas preferências ou interesses. Por outro lado, certos objectos e situações parecem ser inerentes a um mesmo e único valor, independentemente do indivíduo que proceda a tal valoração. Esta divergência no que toca à natureza de um dos alicerces no qual assenta a existência humana conduz-nos assim a um verdadeiro e real problema filosófico, cujas múltiplas e indefinidas respostas este texto se propõe a analisar e esclarecer.
Em primeiro lugar, é fundamental evidenciar a diferença que se estabeleceu entre as definições de facto e valor. Todos os homens, na sua vida quotidiana, expressam constantemente os seus sentimentos e sensações relativamente aos objectos, situações e pessoas com os quais estão em contacto. Porém, nem todos os juízos a que recorremos para dar voz às nossas vivências interiores se tratam efectivamente de valorações. Quando descrevemos algo de uma forma clara e objectiva, independente de quaisquer preferências ou apreciações estamos a realizar um juízo de facto, o qual não deve ser confundido com juízo de valor, que se reporta a avaliações subjectivas da realidade, não verificáveis empiricamente.
Esta distinção mostra-nos assim a subjectividade à qual os valores estão vulgarmente associados, devido às divergências de valorações. Contudo, existem também indícios no nosso quotidiano que nos levam a crer na objectividade dos valores, e é esta antítese que constitui a essência do problema da natureza dos valores. Afinal, serão os valores subjectivos e portanto totalmente dependentes da existência humana e dos gostos e interesses de cada um, ou objectivos, com uma existência exterior e independente da mente humana? Analogamente, poderíamos questionar: será que as coisas valem porque as desejamos ou desejamo-las porque valem?
Em resposta a este complexo e filosófico problema surgiram então três diferentes definições de valor, que procuram explicar as provas e indícios encontrados na nossa vida do dia-a-dia à luz de determinada teoria, que irá assumir os valores como objectivos ou subjectivos.
A perspectiva que talvez se enquadre melhor na crença comum da subjectividade dos valores é designada por psicologismo. De acordo com esta definição, o valor é uma vivência exclusivamente pessoal, correspondendo ao sentimento ou emoção, resultante do nosso estado psicológico, que determinado objecto provoca em nós e que apenas depende das nossas preferências, dos nossos interesses e da nossa experiência valorativa. Os valores são assim meramente subjectivos, sendo aceitáveis quaisquer juízos de valor, na medida em que estes expressam diferentes visões da realidade.
No entanto, a defesa exclusiva da subjectividade dos valores não é de modo algum compatível com os fundamentos da sociedade actual. Sem a convicção de uma objectividade, ainda que parcial, dos valores, como se poderia castigar qualquer tipo de crime ou acção injusta? Ou até porque havíamos nós de confiar no que a ciência nos revela? Todas as justificações não passariam de diferentes pontos de vista, dependentes das visões de diferentes sujeitos. A distinção entre teoria bem fundada e opinião irresponsável confundia-se com uma simples diferença entre dois modos diferentes de olhar o mundo.
Além disso, apoiando esta posição, como se poderia explicar a permanência dos mesmos valores ao longo de diferentes épocas históricas e entre diferentes povos que nunca comunicaram entre si? Ao fim de contas, os valores seriam apenas fruto da experiência pessoal e esta é completamente irrepetível.
Portanto, apesar desta perspectiva ser apoiada pelas divergências de valorações relativamente a alguns objectos, parece evidente a existência de alguma objectividade inerentes aos valores. Aliás, porque até as leis da nossa sociedade se baseiam nesta objectividade.
Relacionada também com o psicologismo existe uma outra perspectiva filosófica designada por emotivismo, que entende os valores como expressões das nossas emoções, sentimentos e atitudes. Obviamente que esta posição, aproximando-se bastante da referida anteriormente comporta os mesmos argumentos e contra- -argumentos.
Se assumirmos a objectividade dos valores, deparamo-nos com duas outras definições de valor, nomeadamente o naturalismo e o ontologismo.
A primeira define os valores como qualidades intrínsecas a todas as coisas, o que justifica o consenso existente em tantas valorações. De facto, sempre que se depara com situações de violência domésticas, pedofilia, escravatura e outros múltiplos crimes, a maioria das pessoas reage negativamente, avaliando estas práticas como intoleráveis, absolutamente injustas e de uma extrema crueldade. Nestes exemplos, as próprias situações parecem estar elas próprias associadas a valores de maldade e injustiça. Mesmo no âmbito da estética, muitas obras de arte parecem transportar em si mesmo a beleza e a harmonia, sendo universalmente consideradas como belas e graciosas.
Todavia, os argumentos utilizados a favor do psicologismo, que se baseavam nos desacordos entre as pessoas quanto à valoração de um mesmo objecto, podem agora constituir os contra-argumentos ao naturalismo. Apesar desta ser uma tese bastante plausível apoiada não só por factos verídicos mas também por convicções da sociedade, a verdade é que ela não consegue explicar as divergências de valorações relativamente a determinados objectos. Além do mais, também não nos é possível observar directamente as qualidades que se julgam intrínsecas aos objectos nos próprios objectos.
Finalmente, uma terceira e última posição conhecida como ontologismo define os valores como ideias independentes dos objectos, que existem num mundo imaterial, diferente do mundo real e humano. O mais antigo representante desta teoria foi precisamente Platão, o qual acreditava na existência de um “mundo das ideias”, onde todos os valores e conceitos assumiam uma forma ideal, perfeita e imutável. Uma vez que Platão pressupunha a imortalidade da alma, ele julgava que, antes de reencarnar num corpo físico, esta tinha tido a oportunidade de contemplar frente a frente as ideias que habitavam este mundo inteligível e imaterial. Contudo, na reencarnação, a alma tinha baralhado muitas das ideias, relembrando-as de uma forma algo confusa e enevoada, o que justica as diferenças de valoração encontradas neste mundo sensível e físico.
Apesar desta perspectiva apresentar aparentemente uma justificação para todos os factos de que temos conhecimento, o certo é que não conseguimos provar nem a existência de tal mundo imaterial nem a existência de uma alma imortal. Actualmente, o ser humano ainda não consegue conceber a coexistência de dois mundos distintos (o físico e o imaterial), razão pela qual o ontologismo se nos afigura uma perspectiva tão fantástica.
Como vimos, todas estas definições de valor, sendo mais ou menos plausíveis, comportam certas falhas, que mantêm a problematicidade desta questão. Assim, na tentativa de encontrar uma solução definitiva para este problema, criou-se uma outra posição denominada por relativismo axiológico. Segundo esta perspectiva, o valor não é objectivo, nem puramente pessoal. Ele é, pelo contrário, uma vivência colectiva, produto dos costumes e tradições de uma mesma cultura e sociedade. Assim, os valores estão dependentes da época histórica e da cultura, sendo partilhados por todos os indivíduos que nelas estejam inseridos.
Se é verdade que, por um lado, não podemos negar que os valores acompanham as culturas das sociedades humanas, por outro, existem certos valores que se encontram presentes em diferentes épocas históricas, facto este que serve de crítica ao relativismo axiológico.
Com tudo isto, o problema da natureza dos valores continua por resolver, revelando-se um verdadeiro problema filosófico. De facto, ele possui todas as características inerentes aos problemas filosóficos: é intemporal, na medida em que tem mantido a sua pertinência ao longo dos tempos; é universal, pois diz respeito a todos os homens independentemente da sua cultura ou época histórica; é problemático, pois como vimos não tem ainda uma solução absolutamente correcta e definitiva; e é radical, uma vez que procura esclarecer um dos fundamentos em que assenta a realidade.
Para finalizar, gostaria ainda de salientar uma outra vertente problemática dos valores, que diz respeito à sua hierarquização. Para nos orientarmos na vida, todos nós somos obrigados a construir uma escala de valores, que irá condicionar as nossas acções e decisões. No entanto, nem todos ordenam os valores da mesma maneira, o que pode trazer graves consequências à sociedade. Um indíviduo que tenha na base da sua hierarquia o valor do respeito pela vida humana constituirá certamente uma ameaça para os seres humanos que o rodeiam, da mesma forma que um indivíduo que privilegie o valor do dinheiro poderá ser capaz das maiores atrocidades só para poder enriquecer.
Em suma, a temática dos valores é bastante problemática devido a todas as incertezas que ainda persistem relativamente à sua natureza e correcta hierarquização. A meu ver, há determinados valores que poderão ser entendidos como subjectivos, mas a maior parte é caracterizada por uma intensa objectividade. Os valores da justiça e do bem ilustram claramente esta independência dos valores em relação às opiniões de diferentes sujeitos. Seguindo este raciocínio, também existe, de algum modo, uma hierarquia de valores mais correcta, que deveria servir como modelo. Ainda que alguns valores possam ocupar posições diferentes noutras hierarquias, os valores éticos e úteis, por exemplo, devem sempre constituir o topo e a base da pirâmide, respectivamente. A acrescentar a esta problematicidade inerente à definição de valor, temos ainda o papel fundamental que os valores têm na vida humana. Estes tornam a vida algo digno de ser vivido e é isso que lhes confere uma grande problematicidade.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Teresa Silva - 3º trabalho de reflexão filosófica

A problematicidade dos valores constitui, desde tempos remotos, um obstáculo à vida em sociedade e à harmonia entre os seres humanos. Diariamente confrontamo-nos com trocas de impressões entre amigos ou colegas, e indignamo-nos tanto quando concordam connosco ou estão totalmente contra as nossas ideias. Como é possível termos precisamente a mesma noção de beleza, relativamente àquele quadro? Como pode alguém ser tão distinto de mim, no que diz respeito à pena de morte? Questões como estas colocam-nos “um ponto de interrogação na testa” e conduzem-nos a um raciocínio profundo na tentativa de descobrir a natureza dos valores.
O ser humano, como pessoa, tem um olhar avaliativo e crítico sobre a sua realidade. Desde cedo, preferimos cores, apreciamos objectos, julgamos pessoas e, sobretudo, tomamos decisões. A nossa vida e a nossa forma de viver é orientada em função dos valores que consideramos, e tudo aquilo com que nos deparamos é previamente valorado. Consoante a nossa hierarquia de valores, que varia de acordo com os nossos padrões culturais, históricos e pessoais, agimos e fazemos escolhas. É, portanto, impossível ao ser humano viver indiferente ao mundo exterior, já que está na sua natureza atribuir valores ao que observa.
Contudo, esta noção tão familiar é uma das mais problemáticas para o ser humano. Ainda que valorize quase que “inconscientemente”, o Homem não consegue explicar se estes valores têm uma natureza subjectiva ou objectiva. Serão eles fruto da sua deliberação e reflexão interior, ou existirão independentes das pessoas e exteriores à mente humana?
Para responder a este problema de tão elevada importância, tanto a nível de compreensão pessoal, como no âmbito social, surgiram diferentes teses. Para apoiar o Subjectivismo Axiológico desenvolveu-se o Psicologismo, ou seja, a ideia de que os valores resultam de vivências pessoais. A maneira de encarar o mundo e de o valorizar de cada pessoa, difere portanto do que enfrentou ao longo da vida e a sua “opinião” será moldada de acordo com a sua experiencia e presença na Terra. Assim se explica a enorme diversidade de valores atribuídos aos mesmos objectos e situações, dado que pessoas com “percursos” diferentes “verão o seu mundo de “cores” diferentes.
Porém, esta “solução” não dá um desfecho à demanda da verdade pelo ser humano, no que diz respeito à natureza dos valores. Não é possível explicar, através do Psicologismo, a concordância de valores em épocas históricas diferentes, ou em povos que nunca comunicaram. Se dependem do sujeito para existirem, como podem os mesmos valores atravessar séculos e oceanos, sem que o homem os tenha transportado consigo?
Não se dando por satisfeito com o subjectivismo e duvidando da capacidade valorativa da sua mente, independente do meio exterior, o Homem procurou outras respostas no Objectivismo Axiológico. Assumindo, portanto, que os valores são autónomos relativamente ao ser humano e que lhe existem exteriormente, surgiu a ideia de que os valores são qualidades das coisas: o Naturalismo. Neste sentido, os objectos, situações e pessoas estão associados a certos valores que os caracterizam e que não diferem. Assim, a unânime crença em certos valores, ou seja, a enorme concordância em tantas valorações, é explicada pelo Naturalismo, uma vez que, se os valores são qualidades das coisas, então todos nós devíamos atribuir a cada coisa o mesmo valor.
No entanto, mais uma vez, esta tese também reúne algumas falhas. A defesa de que os valores já estão contidos nas próprias coisas, sobre a forma de qualidade, não consegue justificar os desentendimentos entre as pessoas nas valorações. Além disso, se os valores são qualidades objectivas das coisas, exteriores à mente humana e que pertencem ao mundo material, porque é que não conseguimos observá-los?
Sem desistir da sua “caça” ao conhecimento, o Ontologismo é mais uma tese que tenta resolver o problema da natureza dos valores, com base no objectivismo. Esta “resposta”, criada por Platão, defende que os valores são ideais que existem independentemente, quer do sujeito humano, quer das coisas em geral, ou seja residem imaterialmente no “mundo das ideais”. Neste mundo, a nossa alma teria tido a possibilidade de contemplar os valores, antes de reencarnar num corpo físico. Assim, em vida, o ser humano recordava de forma confusa estas ideias, originando as divergências nas valorações. Contudo, não é possível provar a existência de um mundo imaterial, para além do físico, facto pelo qual o Ontologismo se apresenta como a tese mais “fraca” e menos credível.
Por fim, uma última tese tenta explicar a natureza dos valores: o Relativismo Axiológico, que estabelece um outro conceito, o de homem como ser social, inserido num determinado contexto. Esta nova solução para este problema filosófico, universal, problemático, intemporal e radical, defende que o valor não é pessoal, nem objectivo, mas sim o resultado de uma apreciação histórica, cultural e social. Algo partilhado entre indivíduos inseridos numa mesma época, com uma mesma cultura e de uma mesma sociedade.
Dado que os valores acompanham as culturas das sociedades humanas, são relativos aos espaços em que as mesmas se encontram, no entanto alguns valores acompanham o ser humano desde sempre, ainda que aplicados de diversos modos, pelas diferentes sociedades. Assim, estes não seriam “exclusivos” de uma determinada época, civilização e cultura, apenas assumiriam “definições” distintas consoante o contexto em que eram utilizados.
Tanto o subjectivismo, como o objectivismo e o relativismo tentam explicar a natureza dos valores, contudo ainda nenhuma das três teses encontrou uma resposta sem objecções. Constituindo um problema, cuja “chave” será a solução a muitas dificuldades e conflitos sociais, a sua problematicidade tem elevadas proporções e ocupa grande parte do tempo dos filósofos. Saber se os valores têm origem na mente humana, resultam de vivências pessoais e são independentes de qualquer obstáculo físico, se são apenas qualidades das coisas ou se “vagueiam” num mundo imaterial paralelo ao nosso, ou se não passam de uma relação com o contexto em que o homem, como ser social, se insere, mudaria radicalmente a forma das sociedades e de cada pessoa encarar o mundo e de tomar decisões. É por isso tão importante continuar a navegar pelo oceano inquieto e imprevisível dos valores, não desistir de procurar o horizonte de verdade e conhecimento ao longe no céu nublado, em busca do bem comum e de um mundo melhor e mais justo!

Relatórioda aulas 63 e 64

Teresa Silva

A aula iniciou-se com a entrega do 3º Trabalho de Reflexão Filosófica. Este consistia em desenvolver o tema “A Problematicidade dos Valores”, ou seja, elaborar um texto em que apresentássemos o nosso conhecimento e reflexão acerca do tema referido, de uma forma organizada, coerente, rigorosa e crítica. Os trabalhos de duas alunas foram lidos à turma e assim se pôde rever alguns dos conteúdos leccionados dentro do tema dos valores e da sua problematicidade, sob a perspectiva destas alunas.
De seguida, a professora definiu o objectivo da aula, que seria criticar a noção de tolerância passiva. Iniciou-se a realização deste objectivo com a correcção do trabalho de casa, que se inseria na página 105 do manual. A actividade estava organizada em duas questões baseadas, cada uma, num excerto.
O primeiro falava do relativismo cultural e nomeava duas situações que, para a nossa cultura, são consideradas incorrectas. Referia a escravatura e o genocídio e afirmava que um relativista não se podia opor a nenhuma destas situações, nem mover-se contra elas. Se o fizesse, estaria a agir contra os seus próprios princípios, pois esta perspectiva consideraria ambas as práticas aceitáveis, uma vez que estas estariam de acordo com um determinado contexto sociocultural.
O segundo excerto abordava um contra-argumento que pode ser utilizado para criticar o relativismo. O autor mencionava que os relativistas negam a existência de juízos de valor absolutos e que defendem a sua relação com a cultura e a sociedade de uma determinada época. Assim, esta teoria apresenta-se contraditória e incoerente, já que afirma as suas ideias como absolutas.
Para completar a correcção do trabalho de casa, a professora esclareceu que, quando algo é considerado absoluto significa que é independente de outros factores, ou seja que existe por si próprio. Por outro lado, quando falamos de algo relativo significa que está relacionado e dependente de outros factores.
Como concluímos, o relativismo demonstra-se tolerante e pacífico perante as outras culturas, aceitando e não interferindo com as suas práticas. Contudo, esta tolerância passiva desfigura-se, pois nada há para tolerar, tornando-se apenas em aceitação e indiferença perante as outras culturas e o que defendem. Por outro lado, o etnocentrismo não tolera a cultura de outras sociedades e os seus valores, adoptando a sua como a correcta. Desta forma, também a “intolerância” perde o seu significado, resumindo-se à total rejeição de outras maneiras de pensar.
Portanto, ambas as teorias se apresentam como extremos e conduzem-nos a tentar encontrar um “meio-termo”. Assim, o limite desta tolerância deverá ser o próprio ser humano e o seu bem-estar. Quando as práticas de outras culturas atentam contra os direitos do homem (Declaração Universal dos Direitos Humanos), devemos interferir e tentar impedir que estas se concretizem.