Bento Caldeira de Quadros e Costa
Nº 6 10º A
Relatório de Aula
Aulas nº 65 e 66
28 de Janeiro de 2010
A aula foi iniciada como já vai sendo habitual com a indicação dos objectivos de aula. Neste dia os objectivos foram a questionação dos limites da tolerância e a relação entre critério universais, tolerância e juízos de valor absolutos.
Após a professora ter ditado os objectivos de aula, a professora questionou os alunos sobre alguns conteúdos trabalhados na aula passada. Neste caso estas questões foram sobre o significado de cultura e as manifestações culturais.
Realizámos ainda um pequeno esquema já envolvendo o primeiro objectivo da aula, sobre a valoração, onde se divide os juízos de valor em juízos de valor absolutos e juízos de valor relativos. Os juízos de valor absolutos são próprios de uma atitude etnocêntrica, que acredita na universalidade dos seus próprios valores culturais (o que é contraditório, porque estes são particulares, são os valores específicos de um grupo). Os juízos de valor relativos, como o próprio nome indica, são próprios de uma visão relativista da cultura. Se considerarmos um juízo de valor como absoluto, então o seu valor verdade será independente de quaisquer contextos. Se considerarmos um juízo de valor como relativo então afirmamos que a sua validade depende e varia conforme os contextos.
A multiculturalidade foi outro conceito que desenvolvemos nesta aula. Este indica-mos a co-existência de grupos culturais distintos. Por exemplo, numa grande cidade podemos encontrar várias culturas distintas.
O relativismo apela à tolerância. Sendo a tolerância defendida pelo relativismo pacífica, mas também passiva e indiferente. Criticámos esta noção de tolerância, afirmando a importância da tolerância ser activa e preocupada e afirmando também a importância de definir limites que nos indiquem até que ponto devemos ser tolerantes. Avançou-se a hipótese do limite da tolerância corresponder ao respeito pelos direitos humanos. Se assim for, podemos tolerar qualquer prática cultural, por muito estranha que nos pareça, desde que não viole direitos humanos. Esta crítica irá conduzir-nos ao estudo de uma terceira perspectiva: a multiculturalidade.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Diana Macedo - 3º Trabalho de reflexão filosófica
“A Problematicidade dos Valores”
Diana Macedo
Nº 8
10º A
Desde os tempos mais remotos que o ser humano sente a necessidade de atribuir um determinado valor a todos os objectos e situações. De facto, os valores têm um papel fundamental e imprescindível na vida humana, uma vez que eles funcionam como uma bússola da acção humana, influenciando as nossas decisões, os nossos projectos de vida e até a nossa visão sobre a sociedade e este complexo mundo que nos rodeia. Um mundo desprovido de valores não deixaria assim lugar para a existência humana, visto que a prática constante da valoração é uma das condições inerentes a esta. A tudo aquilo que observamos ou sentimos atribuímos imediatamente um valor e é este que irá guiar as nossas futuras acções relativamente ao objecto valorado. No entanto, à medida que a nossa experiência valorativa aumenta, rapidamente nos apercebemos de que, perante um mesmo objecto, diferentes pessoas fazem diferentes valorações, consoante as suas preferências ou interesses. Por outro lado, certos objectos e situações parecem ser inerentes a um mesmo e único valor, independentemente do indivíduo que proceda a tal valoração. Esta divergência no que toca à natureza de um dos alicerces no qual assenta a existência humana conduz-nos assim a um verdadeiro e real problema filosófico, cujas múltiplas e indefinidas respostas este texto se propõe a analisar e esclarecer.
Em primeiro lugar, é fundamental evidenciar a diferença que se estabeleceu entre as definições de facto e valor. Todos os homens, na sua vida quotidiana, expressam constantemente os seus sentimentos e sensações relativamente aos objectos, situações e pessoas com os quais estão em contacto. Porém, nem todos os juízos a que recorremos para dar voz às nossas vivências interiores se tratam efectivamente de valorações. Quando descrevemos algo de uma forma clara e objectiva, independente de quaisquer preferências ou apreciações estamos a realizar um juízo de facto, o qual não deve ser confundido com juízo de valor, que se reporta a avaliações subjectivas da realidade, não verificáveis empiricamente.
Esta distinção mostra-nos assim a subjectividade à qual os valores estão vulgarmente associados, devido às divergências de valorações. Contudo, existem também indícios no nosso quotidiano que nos levam a crer na objectividade dos valores, e é esta antítese que constitui a essência do problema da natureza dos valores. Afinal, serão os valores subjectivos e portanto totalmente dependentes da existência humana e dos gostos e interesses de cada um, ou objectivos, com uma existência exterior e independente da mente humana? Analogamente, poderíamos questionar: será que as coisas valem porque as desejamos ou desejamo-las porque valem?
Em resposta a este complexo e filosófico problema surgiram então três diferentes definições de valor, que procuram explicar as provas e indícios encontrados na nossa vida do dia-a-dia à luz de determinada teoria, que irá assumir os valores como objectivos ou subjectivos.
A perspectiva que talvez se enquadre melhor na crença comum da subjectividade dos valores é designada por psicologismo. De acordo com esta definição, o valor é uma vivência exclusivamente pessoal, correspondendo ao sentimento ou emoção, resultante do nosso estado psicológico, que determinado objecto provoca em nós e que apenas depende das nossas preferências, dos nossos interesses e da nossa experiência valorativa. Os valores são assim meramente subjectivos, sendo aceitáveis quaisquer juízos de valor, na medida em que estes expressam diferentes visões da realidade.
No entanto, a defesa exclusiva da subjectividade dos valores não é de modo algum compatível com os fundamentos da sociedade actual. Sem a convicção de uma objectividade, ainda que parcial, dos valores, como se poderia castigar qualquer tipo de crime ou acção injusta? Ou até porque havíamos nós de confiar no que a ciência nos revela? Todas as justificações não passariam de diferentes pontos de vista, dependentes das visões de diferentes sujeitos. A distinção entre teoria bem fundada e opinião irresponsável confundia-se com uma simples diferença entre dois modos diferentes de olhar o mundo.
Além disso, apoiando esta posição, como se poderia explicar a permanência dos mesmos valores ao longo de diferentes épocas históricas e entre diferentes povos que nunca comunicaram entre si? Ao fim de contas, os valores seriam apenas fruto da experiência pessoal e esta é completamente irrepetível.
Portanto, apesar desta perspectiva ser apoiada pelas divergências de valorações relativamente a alguns objectos, parece evidente a existência de alguma objectividade inerentes aos valores. Aliás, porque até as leis da nossa sociedade se baseiam nesta objectividade.
Relacionada também com o psicologismo existe uma outra perspectiva filosófica designada por emotivismo, que entende os valores como expressões das nossas emoções, sentimentos e atitudes. Obviamente que esta posição, aproximando-se bastante da referida anteriormente comporta os mesmos argumentos e contra- -argumentos.
Se assumirmos a objectividade dos valores, deparamo-nos com duas outras definições de valor, nomeadamente o naturalismo e o ontologismo.
A primeira define os valores como qualidades intrínsecas a todas as coisas, o que justifica o consenso existente em tantas valorações. De facto, sempre que se depara com situações de violência domésticas, pedofilia, escravatura e outros múltiplos crimes, a maioria das pessoas reage negativamente, avaliando estas práticas como intoleráveis, absolutamente injustas e de uma extrema crueldade. Nestes exemplos, as próprias situações parecem estar elas próprias associadas a valores de maldade e injustiça. Mesmo no âmbito da estética, muitas obras de arte parecem transportar em si mesmo a beleza e a harmonia, sendo universalmente consideradas como belas e graciosas.
Todavia, os argumentos utilizados a favor do psicologismo, que se baseavam nos desacordos entre as pessoas quanto à valoração de um mesmo objecto, podem agora constituir os contra-argumentos ao naturalismo. Apesar desta ser uma tese bastante plausível apoiada não só por factos verídicos mas também por convicções da sociedade, a verdade é que ela não consegue explicar as divergências de valorações relativamente a determinados objectos. Além do mais, também não nos é possível observar directamente as qualidades que se julgam intrínsecas aos objectos nos próprios objectos.
Finalmente, uma terceira e última posição conhecida como ontologismo define os valores como ideias independentes dos objectos, que existem num mundo imaterial, diferente do mundo real e humano. O mais antigo representante desta teoria foi precisamente Platão, o qual acreditava na existência de um “mundo das ideias”, onde todos os valores e conceitos assumiam uma forma ideal, perfeita e imutável. Uma vez que Platão pressupunha a imortalidade da alma, ele julgava que, antes de reencarnar num corpo físico, esta tinha tido a oportunidade de contemplar frente a frente as ideias que habitavam este mundo inteligível e imaterial. Contudo, na reencarnação, a alma tinha baralhado muitas das ideias, relembrando-as de uma forma algo confusa e enevoada, o que justica as diferenças de valoração encontradas neste mundo sensível e físico.
Apesar desta perspectiva apresentar aparentemente uma justificação para todos os factos de que temos conhecimento, o certo é que não conseguimos provar nem a existência de tal mundo imaterial nem a existência de uma alma imortal. Actualmente, o ser humano ainda não consegue conceber a coexistência de dois mundos distintos (o físico e o imaterial), razão pela qual o ontologismo se nos afigura uma perspectiva tão fantástica.
Como vimos, todas estas definições de valor, sendo mais ou menos plausíveis, comportam certas falhas, que mantêm a problematicidade desta questão. Assim, na tentativa de encontrar uma solução definitiva para este problema, criou-se uma outra posição denominada por relativismo axiológico. Segundo esta perspectiva, o valor não é objectivo, nem puramente pessoal. Ele é, pelo contrário, uma vivência colectiva, produto dos costumes e tradições de uma mesma cultura e sociedade. Assim, os valores estão dependentes da época histórica e da cultura, sendo partilhados por todos os indivíduos que nelas estejam inseridos.
Se é verdade que, por um lado, não podemos negar que os valores acompanham as culturas das sociedades humanas, por outro, existem certos valores que se encontram presentes em diferentes épocas históricas, facto este que serve de crítica ao relativismo axiológico.
Com tudo isto, o problema da natureza dos valores continua por resolver, revelando-se um verdadeiro problema filosófico. De facto, ele possui todas as características inerentes aos problemas filosóficos: é intemporal, na medida em que tem mantido a sua pertinência ao longo dos tempos; é universal, pois diz respeito a todos os homens independentemente da sua cultura ou época histórica; é problemático, pois como vimos não tem ainda uma solução absolutamente correcta e definitiva; e é radical, uma vez que procura esclarecer um dos fundamentos em que assenta a realidade.
Para finalizar, gostaria ainda de salientar uma outra vertente problemática dos valores, que diz respeito à sua hierarquização. Para nos orientarmos na vida, todos nós somos obrigados a construir uma escala de valores, que irá condicionar as nossas acções e decisões. No entanto, nem todos ordenam os valores da mesma maneira, o que pode trazer graves consequências à sociedade. Um indíviduo que tenha na base da sua hierarquia o valor do respeito pela vida humana constituirá certamente uma ameaça para os seres humanos que o rodeiam, da mesma forma que um indivíduo que privilegie o valor do dinheiro poderá ser capaz das maiores atrocidades só para poder enriquecer.
Em suma, a temática dos valores é bastante problemática devido a todas as incertezas que ainda persistem relativamente à sua natureza e correcta hierarquização. A meu ver, há determinados valores que poderão ser entendidos como subjectivos, mas a maior parte é caracterizada por uma intensa objectividade. Os valores da justiça e do bem ilustram claramente esta independência dos valores em relação às opiniões de diferentes sujeitos. Seguindo este raciocínio, também existe, de algum modo, uma hierarquia de valores mais correcta, que deveria servir como modelo. Ainda que alguns valores possam ocupar posições diferentes noutras hierarquias, os valores éticos e úteis, por exemplo, devem sempre constituir o topo e a base da pirâmide, respectivamente. A acrescentar a esta problematicidade inerente à definição de valor, temos ainda o papel fundamental que os valores têm na vida humana. Estes tornam a vida algo digno de ser vivido e é isso que lhes confere uma grande problematicidade.
Diana Macedo
Nº 8
10º A
Desde os tempos mais remotos que o ser humano sente a necessidade de atribuir um determinado valor a todos os objectos e situações. De facto, os valores têm um papel fundamental e imprescindível na vida humana, uma vez que eles funcionam como uma bússola da acção humana, influenciando as nossas decisões, os nossos projectos de vida e até a nossa visão sobre a sociedade e este complexo mundo que nos rodeia. Um mundo desprovido de valores não deixaria assim lugar para a existência humana, visto que a prática constante da valoração é uma das condições inerentes a esta. A tudo aquilo que observamos ou sentimos atribuímos imediatamente um valor e é este que irá guiar as nossas futuras acções relativamente ao objecto valorado. No entanto, à medida que a nossa experiência valorativa aumenta, rapidamente nos apercebemos de que, perante um mesmo objecto, diferentes pessoas fazem diferentes valorações, consoante as suas preferências ou interesses. Por outro lado, certos objectos e situações parecem ser inerentes a um mesmo e único valor, independentemente do indivíduo que proceda a tal valoração. Esta divergência no que toca à natureza de um dos alicerces no qual assenta a existência humana conduz-nos assim a um verdadeiro e real problema filosófico, cujas múltiplas e indefinidas respostas este texto se propõe a analisar e esclarecer.
Em primeiro lugar, é fundamental evidenciar a diferença que se estabeleceu entre as definições de facto e valor. Todos os homens, na sua vida quotidiana, expressam constantemente os seus sentimentos e sensações relativamente aos objectos, situações e pessoas com os quais estão em contacto. Porém, nem todos os juízos a que recorremos para dar voz às nossas vivências interiores se tratam efectivamente de valorações. Quando descrevemos algo de uma forma clara e objectiva, independente de quaisquer preferências ou apreciações estamos a realizar um juízo de facto, o qual não deve ser confundido com juízo de valor, que se reporta a avaliações subjectivas da realidade, não verificáveis empiricamente.
Esta distinção mostra-nos assim a subjectividade à qual os valores estão vulgarmente associados, devido às divergências de valorações. Contudo, existem também indícios no nosso quotidiano que nos levam a crer na objectividade dos valores, e é esta antítese que constitui a essência do problema da natureza dos valores. Afinal, serão os valores subjectivos e portanto totalmente dependentes da existência humana e dos gostos e interesses de cada um, ou objectivos, com uma existência exterior e independente da mente humana? Analogamente, poderíamos questionar: será que as coisas valem porque as desejamos ou desejamo-las porque valem?
Em resposta a este complexo e filosófico problema surgiram então três diferentes definições de valor, que procuram explicar as provas e indícios encontrados na nossa vida do dia-a-dia à luz de determinada teoria, que irá assumir os valores como objectivos ou subjectivos.
A perspectiva que talvez se enquadre melhor na crença comum da subjectividade dos valores é designada por psicologismo. De acordo com esta definição, o valor é uma vivência exclusivamente pessoal, correspondendo ao sentimento ou emoção, resultante do nosso estado psicológico, que determinado objecto provoca em nós e que apenas depende das nossas preferências, dos nossos interesses e da nossa experiência valorativa. Os valores são assim meramente subjectivos, sendo aceitáveis quaisquer juízos de valor, na medida em que estes expressam diferentes visões da realidade.
No entanto, a defesa exclusiva da subjectividade dos valores não é de modo algum compatível com os fundamentos da sociedade actual. Sem a convicção de uma objectividade, ainda que parcial, dos valores, como se poderia castigar qualquer tipo de crime ou acção injusta? Ou até porque havíamos nós de confiar no que a ciência nos revela? Todas as justificações não passariam de diferentes pontos de vista, dependentes das visões de diferentes sujeitos. A distinção entre teoria bem fundada e opinião irresponsável confundia-se com uma simples diferença entre dois modos diferentes de olhar o mundo.
Além disso, apoiando esta posição, como se poderia explicar a permanência dos mesmos valores ao longo de diferentes épocas históricas e entre diferentes povos que nunca comunicaram entre si? Ao fim de contas, os valores seriam apenas fruto da experiência pessoal e esta é completamente irrepetível.
Portanto, apesar desta perspectiva ser apoiada pelas divergências de valorações relativamente a alguns objectos, parece evidente a existência de alguma objectividade inerentes aos valores. Aliás, porque até as leis da nossa sociedade se baseiam nesta objectividade.
Relacionada também com o psicologismo existe uma outra perspectiva filosófica designada por emotivismo, que entende os valores como expressões das nossas emoções, sentimentos e atitudes. Obviamente que esta posição, aproximando-se bastante da referida anteriormente comporta os mesmos argumentos e contra- -argumentos.
Se assumirmos a objectividade dos valores, deparamo-nos com duas outras definições de valor, nomeadamente o naturalismo e o ontologismo.
A primeira define os valores como qualidades intrínsecas a todas as coisas, o que justifica o consenso existente em tantas valorações. De facto, sempre que se depara com situações de violência domésticas, pedofilia, escravatura e outros múltiplos crimes, a maioria das pessoas reage negativamente, avaliando estas práticas como intoleráveis, absolutamente injustas e de uma extrema crueldade. Nestes exemplos, as próprias situações parecem estar elas próprias associadas a valores de maldade e injustiça. Mesmo no âmbito da estética, muitas obras de arte parecem transportar em si mesmo a beleza e a harmonia, sendo universalmente consideradas como belas e graciosas.
Todavia, os argumentos utilizados a favor do psicologismo, que se baseavam nos desacordos entre as pessoas quanto à valoração de um mesmo objecto, podem agora constituir os contra-argumentos ao naturalismo. Apesar desta ser uma tese bastante plausível apoiada não só por factos verídicos mas também por convicções da sociedade, a verdade é que ela não consegue explicar as divergências de valorações relativamente a determinados objectos. Além do mais, também não nos é possível observar directamente as qualidades que se julgam intrínsecas aos objectos nos próprios objectos.
Finalmente, uma terceira e última posição conhecida como ontologismo define os valores como ideias independentes dos objectos, que existem num mundo imaterial, diferente do mundo real e humano. O mais antigo representante desta teoria foi precisamente Platão, o qual acreditava na existência de um “mundo das ideias”, onde todos os valores e conceitos assumiam uma forma ideal, perfeita e imutável. Uma vez que Platão pressupunha a imortalidade da alma, ele julgava que, antes de reencarnar num corpo físico, esta tinha tido a oportunidade de contemplar frente a frente as ideias que habitavam este mundo inteligível e imaterial. Contudo, na reencarnação, a alma tinha baralhado muitas das ideias, relembrando-as de uma forma algo confusa e enevoada, o que justica as diferenças de valoração encontradas neste mundo sensível e físico.
Apesar desta perspectiva apresentar aparentemente uma justificação para todos os factos de que temos conhecimento, o certo é que não conseguimos provar nem a existência de tal mundo imaterial nem a existência de uma alma imortal. Actualmente, o ser humano ainda não consegue conceber a coexistência de dois mundos distintos (o físico e o imaterial), razão pela qual o ontologismo se nos afigura uma perspectiva tão fantástica.
Como vimos, todas estas definições de valor, sendo mais ou menos plausíveis, comportam certas falhas, que mantêm a problematicidade desta questão. Assim, na tentativa de encontrar uma solução definitiva para este problema, criou-se uma outra posição denominada por relativismo axiológico. Segundo esta perspectiva, o valor não é objectivo, nem puramente pessoal. Ele é, pelo contrário, uma vivência colectiva, produto dos costumes e tradições de uma mesma cultura e sociedade. Assim, os valores estão dependentes da época histórica e da cultura, sendo partilhados por todos os indivíduos que nelas estejam inseridos.
Se é verdade que, por um lado, não podemos negar que os valores acompanham as culturas das sociedades humanas, por outro, existem certos valores que se encontram presentes em diferentes épocas históricas, facto este que serve de crítica ao relativismo axiológico.
Com tudo isto, o problema da natureza dos valores continua por resolver, revelando-se um verdadeiro problema filosófico. De facto, ele possui todas as características inerentes aos problemas filosóficos: é intemporal, na medida em que tem mantido a sua pertinência ao longo dos tempos; é universal, pois diz respeito a todos os homens independentemente da sua cultura ou época histórica; é problemático, pois como vimos não tem ainda uma solução absolutamente correcta e definitiva; e é radical, uma vez que procura esclarecer um dos fundamentos em que assenta a realidade.
Para finalizar, gostaria ainda de salientar uma outra vertente problemática dos valores, que diz respeito à sua hierarquização. Para nos orientarmos na vida, todos nós somos obrigados a construir uma escala de valores, que irá condicionar as nossas acções e decisões. No entanto, nem todos ordenam os valores da mesma maneira, o que pode trazer graves consequências à sociedade. Um indíviduo que tenha na base da sua hierarquia o valor do respeito pela vida humana constituirá certamente uma ameaça para os seres humanos que o rodeiam, da mesma forma que um indivíduo que privilegie o valor do dinheiro poderá ser capaz das maiores atrocidades só para poder enriquecer.
Em suma, a temática dos valores é bastante problemática devido a todas as incertezas que ainda persistem relativamente à sua natureza e correcta hierarquização. A meu ver, há determinados valores que poderão ser entendidos como subjectivos, mas a maior parte é caracterizada por uma intensa objectividade. Os valores da justiça e do bem ilustram claramente esta independência dos valores em relação às opiniões de diferentes sujeitos. Seguindo este raciocínio, também existe, de algum modo, uma hierarquia de valores mais correcta, que deveria servir como modelo. Ainda que alguns valores possam ocupar posições diferentes noutras hierarquias, os valores éticos e úteis, por exemplo, devem sempre constituir o topo e a base da pirâmide, respectivamente. A acrescentar a esta problematicidade inerente à definição de valor, temos ainda o papel fundamental que os valores têm na vida humana. Estes tornam a vida algo digno de ser vivido e é isso que lhes confere uma grande problematicidade.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Teresa Silva - 3º trabalho de reflexão filosófica
A problematicidade dos valores constitui, desde tempos remotos, um obstáculo à vida em sociedade e à harmonia entre os seres humanos. Diariamente confrontamo-nos com trocas de impressões entre amigos ou colegas, e indignamo-nos tanto quando concordam connosco ou estão totalmente contra as nossas ideias. Como é possível termos precisamente a mesma noção de beleza, relativamente àquele quadro? Como pode alguém ser tão distinto de mim, no que diz respeito à pena de morte? Questões como estas colocam-nos “um ponto de interrogação na testa” e conduzem-nos a um raciocínio profundo na tentativa de descobrir a natureza dos valores.
O ser humano, como pessoa, tem um olhar avaliativo e crítico sobre a sua realidade. Desde cedo, preferimos cores, apreciamos objectos, julgamos pessoas e, sobretudo, tomamos decisões. A nossa vida e a nossa forma de viver é orientada em função dos valores que consideramos, e tudo aquilo com que nos deparamos é previamente valorado. Consoante a nossa hierarquia de valores, que varia de acordo com os nossos padrões culturais, históricos e pessoais, agimos e fazemos escolhas. É, portanto, impossível ao ser humano viver indiferente ao mundo exterior, já que está na sua natureza atribuir valores ao que observa.
Contudo, esta noção tão familiar é uma das mais problemáticas para o ser humano. Ainda que valorize quase que “inconscientemente”, o Homem não consegue explicar se estes valores têm uma natureza subjectiva ou objectiva. Serão eles fruto da sua deliberação e reflexão interior, ou existirão independentes das pessoas e exteriores à mente humana?
Para responder a este problema de tão elevada importância, tanto a nível de compreensão pessoal, como no âmbito social, surgiram diferentes teses. Para apoiar o Subjectivismo Axiológico desenvolveu-se o Psicologismo, ou seja, a ideia de que os valores resultam de vivências pessoais. A maneira de encarar o mundo e de o valorizar de cada pessoa, difere portanto do que enfrentou ao longo da vida e a sua “opinião” será moldada de acordo com a sua experiencia e presença na Terra. Assim se explica a enorme diversidade de valores atribuídos aos mesmos objectos e situações, dado que pessoas com “percursos” diferentes “verão o seu mundo de “cores” diferentes.
Porém, esta “solução” não dá um desfecho à demanda da verdade pelo ser humano, no que diz respeito à natureza dos valores. Não é possível explicar, através do Psicologismo, a concordância de valores em épocas históricas diferentes, ou em povos que nunca comunicaram. Se dependem do sujeito para existirem, como podem os mesmos valores atravessar séculos e oceanos, sem que o homem os tenha transportado consigo?
Não se dando por satisfeito com o subjectivismo e duvidando da capacidade valorativa da sua mente, independente do meio exterior, o Homem procurou outras respostas no Objectivismo Axiológico. Assumindo, portanto, que os valores são autónomos relativamente ao ser humano e que lhe existem exteriormente, surgiu a ideia de que os valores são qualidades das coisas: o Naturalismo. Neste sentido, os objectos, situações e pessoas estão associados a certos valores que os caracterizam e que não diferem. Assim, a unânime crença em certos valores, ou seja, a enorme concordância em tantas valorações, é explicada pelo Naturalismo, uma vez que, se os valores são qualidades das coisas, então todos nós devíamos atribuir a cada coisa o mesmo valor.
No entanto, mais uma vez, esta tese também reúne algumas falhas. A defesa de que os valores já estão contidos nas próprias coisas, sobre a forma de qualidade, não consegue justificar os desentendimentos entre as pessoas nas valorações. Além disso, se os valores são qualidades objectivas das coisas, exteriores à mente humana e que pertencem ao mundo material, porque é que não conseguimos observá-los?
Sem desistir da sua “caça” ao conhecimento, o Ontologismo é mais uma tese que tenta resolver o problema da natureza dos valores, com base no objectivismo. Esta “resposta”, criada por Platão, defende que os valores são ideais que existem independentemente, quer do sujeito humano, quer das coisas em geral, ou seja residem imaterialmente no “mundo das ideais”. Neste mundo, a nossa alma teria tido a possibilidade de contemplar os valores, antes de reencarnar num corpo físico. Assim, em vida, o ser humano recordava de forma confusa estas ideias, originando as divergências nas valorações. Contudo, não é possível provar a existência de um mundo imaterial, para além do físico, facto pelo qual o Ontologismo se apresenta como a tese mais “fraca” e menos credível.
Por fim, uma última tese tenta explicar a natureza dos valores: o Relativismo Axiológico, que estabelece um outro conceito, o de homem como ser social, inserido num determinado contexto. Esta nova solução para este problema filosófico, universal, problemático, intemporal e radical, defende que o valor não é pessoal, nem objectivo, mas sim o resultado de uma apreciação histórica, cultural e social. Algo partilhado entre indivíduos inseridos numa mesma época, com uma mesma cultura e de uma mesma sociedade.
Dado que os valores acompanham as culturas das sociedades humanas, são relativos aos espaços em que as mesmas se encontram, no entanto alguns valores acompanham o ser humano desde sempre, ainda que aplicados de diversos modos, pelas diferentes sociedades. Assim, estes não seriam “exclusivos” de uma determinada época, civilização e cultura, apenas assumiriam “definições” distintas consoante o contexto em que eram utilizados.
Tanto o subjectivismo, como o objectivismo e o relativismo tentam explicar a natureza dos valores, contudo ainda nenhuma das três teses encontrou uma resposta sem objecções. Constituindo um problema, cuja “chave” será a solução a muitas dificuldades e conflitos sociais, a sua problematicidade tem elevadas proporções e ocupa grande parte do tempo dos filósofos. Saber se os valores têm origem na mente humana, resultam de vivências pessoais e são independentes de qualquer obstáculo físico, se são apenas qualidades das coisas ou se “vagueiam” num mundo imaterial paralelo ao nosso, ou se não passam de uma relação com o contexto em que o homem, como ser social, se insere, mudaria radicalmente a forma das sociedades e de cada pessoa encarar o mundo e de tomar decisões. É por isso tão importante continuar a navegar pelo oceano inquieto e imprevisível dos valores, não desistir de procurar o horizonte de verdade e conhecimento ao longe no céu nublado, em busca do bem comum e de um mundo melhor e mais justo!
O ser humano, como pessoa, tem um olhar avaliativo e crítico sobre a sua realidade. Desde cedo, preferimos cores, apreciamos objectos, julgamos pessoas e, sobretudo, tomamos decisões. A nossa vida e a nossa forma de viver é orientada em função dos valores que consideramos, e tudo aquilo com que nos deparamos é previamente valorado. Consoante a nossa hierarquia de valores, que varia de acordo com os nossos padrões culturais, históricos e pessoais, agimos e fazemos escolhas. É, portanto, impossível ao ser humano viver indiferente ao mundo exterior, já que está na sua natureza atribuir valores ao que observa.
Contudo, esta noção tão familiar é uma das mais problemáticas para o ser humano. Ainda que valorize quase que “inconscientemente”, o Homem não consegue explicar se estes valores têm uma natureza subjectiva ou objectiva. Serão eles fruto da sua deliberação e reflexão interior, ou existirão independentes das pessoas e exteriores à mente humana?
Para responder a este problema de tão elevada importância, tanto a nível de compreensão pessoal, como no âmbito social, surgiram diferentes teses. Para apoiar o Subjectivismo Axiológico desenvolveu-se o Psicologismo, ou seja, a ideia de que os valores resultam de vivências pessoais. A maneira de encarar o mundo e de o valorizar de cada pessoa, difere portanto do que enfrentou ao longo da vida e a sua “opinião” será moldada de acordo com a sua experiencia e presença na Terra. Assim se explica a enorme diversidade de valores atribuídos aos mesmos objectos e situações, dado que pessoas com “percursos” diferentes “verão o seu mundo de “cores” diferentes.
Porém, esta “solução” não dá um desfecho à demanda da verdade pelo ser humano, no que diz respeito à natureza dos valores. Não é possível explicar, através do Psicologismo, a concordância de valores em épocas históricas diferentes, ou em povos que nunca comunicaram. Se dependem do sujeito para existirem, como podem os mesmos valores atravessar séculos e oceanos, sem que o homem os tenha transportado consigo?
Não se dando por satisfeito com o subjectivismo e duvidando da capacidade valorativa da sua mente, independente do meio exterior, o Homem procurou outras respostas no Objectivismo Axiológico. Assumindo, portanto, que os valores são autónomos relativamente ao ser humano e que lhe existem exteriormente, surgiu a ideia de que os valores são qualidades das coisas: o Naturalismo. Neste sentido, os objectos, situações e pessoas estão associados a certos valores que os caracterizam e que não diferem. Assim, a unânime crença em certos valores, ou seja, a enorme concordância em tantas valorações, é explicada pelo Naturalismo, uma vez que, se os valores são qualidades das coisas, então todos nós devíamos atribuir a cada coisa o mesmo valor.
No entanto, mais uma vez, esta tese também reúne algumas falhas. A defesa de que os valores já estão contidos nas próprias coisas, sobre a forma de qualidade, não consegue justificar os desentendimentos entre as pessoas nas valorações. Além disso, se os valores são qualidades objectivas das coisas, exteriores à mente humana e que pertencem ao mundo material, porque é que não conseguimos observá-los?
Sem desistir da sua “caça” ao conhecimento, o Ontologismo é mais uma tese que tenta resolver o problema da natureza dos valores, com base no objectivismo. Esta “resposta”, criada por Platão, defende que os valores são ideais que existem independentemente, quer do sujeito humano, quer das coisas em geral, ou seja residem imaterialmente no “mundo das ideais”. Neste mundo, a nossa alma teria tido a possibilidade de contemplar os valores, antes de reencarnar num corpo físico. Assim, em vida, o ser humano recordava de forma confusa estas ideias, originando as divergências nas valorações. Contudo, não é possível provar a existência de um mundo imaterial, para além do físico, facto pelo qual o Ontologismo se apresenta como a tese mais “fraca” e menos credível.
Por fim, uma última tese tenta explicar a natureza dos valores: o Relativismo Axiológico, que estabelece um outro conceito, o de homem como ser social, inserido num determinado contexto. Esta nova solução para este problema filosófico, universal, problemático, intemporal e radical, defende que o valor não é pessoal, nem objectivo, mas sim o resultado de uma apreciação histórica, cultural e social. Algo partilhado entre indivíduos inseridos numa mesma época, com uma mesma cultura e de uma mesma sociedade.
Dado que os valores acompanham as culturas das sociedades humanas, são relativos aos espaços em que as mesmas se encontram, no entanto alguns valores acompanham o ser humano desde sempre, ainda que aplicados de diversos modos, pelas diferentes sociedades. Assim, estes não seriam “exclusivos” de uma determinada época, civilização e cultura, apenas assumiriam “definições” distintas consoante o contexto em que eram utilizados.
Tanto o subjectivismo, como o objectivismo e o relativismo tentam explicar a natureza dos valores, contudo ainda nenhuma das três teses encontrou uma resposta sem objecções. Constituindo um problema, cuja “chave” será a solução a muitas dificuldades e conflitos sociais, a sua problematicidade tem elevadas proporções e ocupa grande parte do tempo dos filósofos. Saber se os valores têm origem na mente humana, resultam de vivências pessoais e são independentes de qualquer obstáculo físico, se são apenas qualidades das coisas ou se “vagueiam” num mundo imaterial paralelo ao nosso, ou se não passam de uma relação com o contexto em que o homem, como ser social, se insere, mudaria radicalmente a forma das sociedades e de cada pessoa encarar o mundo e de tomar decisões. É por isso tão importante continuar a navegar pelo oceano inquieto e imprevisível dos valores, não desistir de procurar o horizonte de verdade e conhecimento ao longe no céu nublado, em busca do bem comum e de um mundo melhor e mais justo!
Relatórioda aulas 63 e 64
Teresa Silva
A aula iniciou-se com a entrega do 3º Trabalho de Reflexão Filosófica. Este consistia em desenvolver o tema “A Problematicidade dos Valores”, ou seja, elaborar um texto em que apresentássemos o nosso conhecimento e reflexão acerca do tema referido, de uma forma organizada, coerente, rigorosa e crítica. Os trabalhos de duas alunas foram lidos à turma e assim se pôde rever alguns dos conteúdos leccionados dentro do tema dos valores e da sua problematicidade, sob a perspectiva destas alunas.
De seguida, a professora definiu o objectivo da aula, que seria criticar a noção de tolerância passiva. Iniciou-se a realização deste objectivo com a correcção do trabalho de casa, que se inseria na página 105 do manual. A actividade estava organizada em duas questões baseadas, cada uma, num excerto.
O primeiro falava do relativismo cultural e nomeava duas situações que, para a nossa cultura, são consideradas incorrectas. Referia a escravatura e o genocídio e afirmava que um relativista não se podia opor a nenhuma destas situações, nem mover-se contra elas. Se o fizesse, estaria a agir contra os seus próprios princípios, pois esta perspectiva consideraria ambas as práticas aceitáveis, uma vez que estas estariam de acordo com um determinado contexto sociocultural.
O segundo excerto abordava um contra-argumento que pode ser utilizado para criticar o relativismo. O autor mencionava que os relativistas negam a existência de juízos de valor absolutos e que defendem a sua relação com a cultura e a sociedade de uma determinada época. Assim, esta teoria apresenta-se contraditória e incoerente, já que afirma as suas ideias como absolutas.
Para completar a correcção do trabalho de casa, a professora esclareceu que, quando algo é considerado absoluto significa que é independente de outros factores, ou seja que existe por si próprio. Por outro lado, quando falamos de algo relativo significa que está relacionado e dependente de outros factores.
Como concluímos, o relativismo demonstra-se tolerante e pacífico perante as outras culturas, aceitando e não interferindo com as suas práticas. Contudo, esta tolerância passiva desfigura-se, pois nada há para tolerar, tornando-se apenas em aceitação e indiferença perante as outras culturas e o que defendem. Por outro lado, o etnocentrismo não tolera a cultura de outras sociedades e os seus valores, adoptando a sua como a correcta. Desta forma, também a “intolerância” perde o seu significado, resumindo-se à total rejeição de outras maneiras de pensar.
Portanto, ambas as teorias se apresentam como extremos e conduzem-nos a tentar encontrar um “meio-termo”. Assim, o limite desta tolerância deverá ser o próprio ser humano e o seu bem-estar. Quando as práticas de outras culturas atentam contra os direitos do homem (Declaração Universal dos Direitos Humanos), devemos interferir e tentar impedir que estas se concretizem.
A aula iniciou-se com a entrega do 3º Trabalho de Reflexão Filosófica. Este consistia em desenvolver o tema “A Problematicidade dos Valores”, ou seja, elaborar um texto em que apresentássemos o nosso conhecimento e reflexão acerca do tema referido, de uma forma organizada, coerente, rigorosa e crítica. Os trabalhos de duas alunas foram lidos à turma e assim se pôde rever alguns dos conteúdos leccionados dentro do tema dos valores e da sua problematicidade, sob a perspectiva destas alunas.
De seguida, a professora definiu o objectivo da aula, que seria criticar a noção de tolerância passiva. Iniciou-se a realização deste objectivo com a correcção do trabalho de casa, que se inseria na página 105 do manual. A actividade estava organizada em duas questões baseadas, cada uma, num excerto.
O primeiro falava do relativismo cultural e nomeava duas situações que, para a nossa cultura, são consideradas incorrectas. Referia a escravatura e o genocídio e afirmava que um relativista não se podia opor a nenhuma destas situações, nem mover-se contra elas. Se o fizesse, estaria a agir contra os seus próprios princípios, pois esta perspectiva consideraria ambas as práticas aceitáveis, uma vez que estas estariam de acordo com um determinado contexto sociocultural.
O segundo excerto abordava um contra-argumento que pode ser utilizado para criticar o relativismo. O autor mencionava que os relativistas negam a existência de juízos de valor absolutos e que defendem a sua relação com a cultura e a sociedade de uma determinada época. Assim, esta teoria apresenta-se contraditória e incoerente, já que afirma as suas ideias como absolutas.
Para completar a correcção do trabalho de casa, a professora esclareceu que, quando algo é considerado absoluto significa que é independente de outros factores, ou seja que existe por si próprio. Por outro lado, quando falamos de algo relativo significa que está relacionado e dependente de outros factores.
Como concluímos, o relativismo demonstra-se tolerante e pacífico perante as outras culturas, aceitando e não interferindo com as suas práticas. Contudo, esta tolerância passiva desfigura-se, pois nada há para tolerar, tornando-se apenas em aceitação e indiferença perante as outras culturas e o que defendem. Por outro lado, o etnocentrismo não tolera a cultura de outras sociedades e os seus valores, adoptando a sua como a correcta. Desta forma, também a “intolerância” perde o seu significado, resumindo-se à total rejeição de outras maneiras de pensar.
Portanto, ambas as teorias se apresentam como extremos e conduzem-nos a tentar encontrar um “meio-termo”. Assim, o limite desta tolerância deverá ser o próprio ser humano e o seu bem-estar. Quando as práticas de outras culturas atentam contra os direitos do homem (Declaração Universal dos Direitos Humanos), devemos interferir e tentar impedir que estas se concretizem.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Relatório das aulas 61 e 62
Pedro Ribeiro
Nº20 10ºAno
Relatório de aula
Para dar início à aula, a professora começou por fazer uma breve revisão dos critérios de avaliação, explicando como se classificam as atitudes.
De seguida, definimos os objectivos de aula que são: criticar relativismo cultural e compreender as consequências da tolerância preconizada pelos relativistas.
Depois a professora fez uma chamada oral sobre o que falámos na aula anterior, ou seja, sobre os valores, a cultura, o etnocentrismo e o relativismo cultural.
A cultura, em geral, é aquilo que o Homem produz. Os juízos de valor são um aspecto particular das culturas. A cultura é um fenómeno plural porque existem muitas culturas, é diverso porque todas as culturas são diferentes entre si e é universal porque se manifesta em todos os grupos humanos e em todas as épocas históricas
Definimos também etnocentrismo como sendo uma tendência para nos basearmos nos nossos valores e costumes quando consideramos as outras culturas; é uma tendência para acharmos que os nossos princípios é que estão correctos e não os outros.
De seguida, iniciámos a correcção do trabalho de casa.
Estudámos também o relativismo cultural que é uma atitude de tolerância e de passividade. O relativista cultural defende que se devem respeitar as outras culturas e que cada cultura deve ser avaliada a partir de dentro, ié, a partir de si própria.
Para o segundo objectivo da aula, falámos sobre as consequências do etnocentrismo, ou seja, sobre atitudes discriminatórias como o racismo, a xenofobia, o patriotismo e o nacionalismo exagerados.
A professora mandou ainda para trabalho de casa uma actividade do manual, da pag.105.
Nº20 10ºAno
Relatório de aula
Para dar início à aula, a professora começou por fazer uma breve revisão dos critérios de avaliação, explicando como se classificam as atitudes.
De seguida, definimos os objectivos de aula que são: criticar relativismo cultural e compreender as consequências da tolerância preconizada pelos relativistas.
Depois a professora fez uma chamada oral sobre o que falámos na aula anterior, ou seja, sobre os valores, a cultura, o etnocentrismo e o relativismo cultural.
A cultura, em geral, é aquilo que o Homem produz. Os juízos de valor são um aspecto particular das culturas. A cultura é um fenómeno plural porque existem muitas culturas, é diverso porque todas as culturas são diferentes entre si e é universal porque se manifesta em todos os grupos humanos e em todas as épocas históricas
Definimos também etnocentrismo como sendo uma tendência para nos basearmos nos nossos valores e costumes quando consideramos as outras culturas; é uma tendência para acharmos que os nossos princípios é que estão correctos e não os outros.
De seguida, iniciámos a correcção do trabalho de casa.
Estudámos também o relativismo cultural que é uma atitude de tolerância e de passividade. O relativista cultural defende que se devem respeitar as outras culturas e que cada cultura deve ser avaliada a partir de dentro, ié, a partir de si própria.
Para o segundo objectivo da aula, falámos sobre as consequências do etnocentrismo, ou seja, sobre atitudes discriminatórias como o racismo, a xenofobia, o patriotismo e o nacionalismo exagerados.
A professora mandou ainda para trabalho de casa uma actividade do manual, da pag.105.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Relatório das aulas 59 e 60
Sofia Guerreiro
Nº 27 - 10ºA
Relatório de Aula
Aulas 59 e 60
19 de Janeiro de 2010
Como de costume, a professora iniciou a aula com a realização do sumário e definindo os objectivos da mesma. Estes consistiram em definir cultura, reconhecer a cultura como um fenómeno universal, plural e diverso e comparar relativismo e etnocentrismo cultural.
De seguida, corrigimos o trabalho de casa da aula anterior, que consistia em, partindo de um exemplo (beleza, escravatura ou moda), mostrar como a valoração está dependente de contextos histórico-culturais. Em geral, todos nós chegámos à conclusão que em todos estes exemplos a valoração se foi alterando ao longo dos tempos e que em função dos diferentes povos. Por exemplo, a escravatura, apesar de ter sido, durante muito tempo, um acto aceite, actualmente, é algo ilegal.
Após a reflexão sobre este trabalho, conseguimos relacionar estes exemplos com a tese relativa à natureza dos valores, estudada na última aula: o relativismo, que concebe o valor como algo que varia ao longo do tempo e do espaço e que tem uma natureza iminentemente social. No entanto, o relativismo axiológico não soluciona o problema da natureza dos valores, pois apresenta-os como o produto de uma sociedade numa determinada época, mas não explica a aparente universalidade de alguns valores que permanecem ao longo da história e que são transversais a diversas culturas.
Com isto, iniciámos o estudo da cultura, definindo a mesma como tudo aquilo que o homem produz. Contudo, esta é uma definição da cultura, existindo também a de uma cultura, que se resume ao conjunto de manifestações materiais e imateriais que reflectem a especificidade de um grupo de indivíduos na sua maneira de sentir, pensar e agir.
Ao mesmo tempo que procurávamos definir cultura, analisámos o texto 9 da página 95, onde concluímos que, no quotidiano, consideramos cultura como “as coisas mais elevadas do espírito”, como a arte, literatura, música e pintura. Porém, os sociólogos incluem no conceito estas actividades e muitas outras.
Posteriormente, considerámos cultura como um fenómeno plural e diverso, por existirem modelos de comportamento, hábitos e costumes diferentes, e universal, isto é, presente em todos os tempos e regiões do planeta habitadas pelo homem. Para comprovar este fenómeno, analisámos o texto 11, da página 97, que nos mostra a cultura do povo esquimó, uma vez que este tem costumes bastante diferentes dos nossos.
Por fim, passámos ao estudo e diferenciação do etnocentrismo em relação ao relativismo culturais. Estudámos que o etnocentrismo promove a assimilação de umas culturas por outras, por ser uma visão centrada ou egocêntrica, e que o relativismo, pelo contrário, promove a separação, aceitando e respeitando a diversidade cultural. A atitude etnocêntrica é a atitude daquele que avalia as outras culturas tomando como centro de referência a sua própria cultura e que, julgando a sua cultura a correcta, sente-se no direito de impor a sua cultura aos outros.
Nº 27 - 10ºA
Relatório de Aula
Aulas 59 e 60
19 de Janeiro de 2010
Como de costume, a professora iniciou a aula com a realização do sumário e definindo os objectivos da mesma. Estes consistiram em definir cultura, reconhecer a cultura como um fenómeno universal, plural e diverso e comparar relativismo e etnocentrismo cultural.
De seguida, corrigimos o trabalho de casa da aula anterior, que consistia em, partindo de um exemplo (beleza, escravatura ou moda), mostrar como a valoração está dependente de contextos histórico-culturais. Em geral, todos nós chegámos à conclusão que em todos estes exemplos a valoração se foi alterando ao longo dos tempos e que em função dos diferentes povos. Por exemplo, a escravatura, apesar de ter sido, durante muito tempo, um acto aceite, actualmente, é algo ilegal.
Após a reflexão sobre este trabalho, conseguimos relacionar estes exemplos com a tese relativa à natureza dos valores, estudada na última aula: o relativismo, que concebe o valor como algo que varia ao longo do tempo e do espaço e que tem uma natureza iminentemente social. No entanto, o relativismo axiológico não soluciona o problema da natureza dos valores, pois apresenta-os como o produto de uma sociedade numa determinada época, mas não explica a aparente universalidade de alguns valores que permanecem ao longo da história e que são transversais a diversas culturas.
Com isto, iniciámos o estudo da cultura, definindo a mesma como tudo aquilo que o homem produz. Contudo, esta é uma definição da cultura, existindo também a de uma cultura, que se resume ao conjunto de manifestações materiais e imateriais que reflectem a especificidade de um grupo de indivíduos na sua maneira de sentir, pensar e agir.
Ao mesmo tempo que procurávamos definir cultura, analisámos o texto 9 da página 95, onde concluímos que, no quotidiano, consideramos cultura como “as coisas mais elevadas do espírito”, como a arte, literatura, música e pintura. Porém, os sociólogos incluem no conceito estas actividades e muitas outras.
Posteriormente, considerámos cultura como um fenómeno plural e diverso, por existirem modelos de comportamento, hábitos e costumes diferentes, e universal, isto é, presente em todos os tempos e regiões do planeta habitadas pelo homem. Para comprovar este fenómeno, analisámos o texto 11, da página 97, que nos mostra a cultura do povo esquimó, uma vez que este tem costumes bastante diferentes dos nossos.
Por fim, passámos ao estudo e diferenciação do etnocentrismo em relação ao relativismo culturais. Estudámos que o etnocentrismo promove a assimilação de umas culturas por outras, por ser uma visão centrada ou egocêntrica, e que o relativismo, pelo contrário, promove a separação, aceitando e respeitando a diversidade cultural. A atitude etnocêntrica é a atitude daquele que avalia as outras culturas tomando como centro de referência a sua própria cultura e que, julgando a sua cultura a correcta, sente-se no direito de impor a sua cultura aos outros.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Relatório das aulas 57 e 58
José Morais
Nº14 10ºA
Relatório de aula
Aulas 57 e 58
A professora iniciou a aula fazendo uma breve revisão dos conteúdos leccionados na aula anterior.
Em seguida a professora definiu os objectivos de aula, que foram os seguintes: “compreender a diferença entre subjectivismo e objectivismo axiológicos” e “distinguir diferentes níveis de critérios valorativos”. Falámos um pouco sobre os pressupostos da teoria platónica referindo dois: a dualidade antropológica e a dualidade ontológica. Avançámos esclarecendo esta última dualidade definindo-a como um mundo dividido em duas partes: o mundo sensível (físico), que e conhecido através do nosso corpo, mais propriamente, através dos nossos órgãos sensoriais, e um mundo inteligível (imaterial), isto é, só pode ser conhecido através do nosso intelecto/alma/razão.
Depois disto, concluímos os contra-argumentos para o ontologismo, que tinham ficado pendentes da última aula.
Em seguida, começámos a abordagem de um novo tema: o relativismo axiológico. Segundo o Relativismo, o valor não é objectivo nem subjectivo, mas sim intersubjectivo, ou seja, vai para além da subjectividade, existe entre sujeitos. O relativismo axiológico diz que o valor não é pessoal nem objectivo, é sim uma apreciação histórica, cultural e social (algo partilhado por indivíduos de uma mesma época, mesma cultura e da mesma sociedade).
Utilizando o nosso manual, lemos e analisámos alguns textos respectivamente ao relativismo axiológico.
Passámos então para o segundo objectivo de aula: “distinguir os diferentes critérios valorativos”. Entendemos por critério valorativo o princípio ou condição que serve de base à valoração e que permite distinguir as coisas valiosas das não valiosas, e dentro das valiosas, as que são mais importantes e as que são menos importantes. Podemos ainda considerar três diferentes níveis de determinação dos mesmos critérios, são estes:
O Pessoal, refere-se ao íntimo de cada pessoa com as suas características pessoais: gostos, interesses, etc; o Colectivo, refere-se ao sujeito do ponto de vista social e cultural: os seus costumes, ideias ou formas de estar em grupo; e o Universal, refere-se ao sujeito como um ser-no-mundo: sensível aos outros, que coabitam o planeta, bem como ao próprio espaço habitado.
E assim completámos todos os objectivos de aula e a professora deu a aula como terminada.
Nº14 10ºA
Relatório de aula
Aulas 57 e 58
A professora iniciou a aula fazendo uma breve revisão dos conteúdos leccionados na aula anterior.
Em seguida a professora definiu os objectivos de aula, que foram os seguintes: “compreender a diferença entre subjectivismo e objectivismo axiológicos” e “distinguir diferentes níveis de critérios valorativos”. Falámos um pouco sobre os pressupostos da teoria platónica referindo dois: a dualidade antropológica e a dualidade ontológica. Avançámos esclarecendo esta última dualidade definindo-a como um mundo dividido em duas partes: o mundo sensível (físico), que e conhecido através do nosso corpo, mais propriamente, através dos nossos órgãos sensoriais, e um mundo inteligível (imaterial), isto é, só pode ser conhecido através do nosso intelecto/alma/razão.
Depois disto, concluímos os contra-argumentos para o ontologismo, que tinham ficado pendentes da última aula.
Em seguida, começámos a abordagem de um novo tema: o relativismo axiológico. Segundo o Relativismo, o valor não é objectivo nem subjectivo, mas sim intersubjectivo, ou seja, vai para além da subjectividade, existe entre sujeitos. O relativismo axiológico diz que o valor não é pessoal nem objectivo, é sim uma apreciação histórica, cultural e social (algo partilhado por indivíduos de uma mesma época, mesma cultura e da mesma sociedade).
Utilizando o nosso manual, lemos e analisámos alguns textos respectivamente ao relativismo axiológico.
Passámos então para o segundo objectivo de aula: “distinguir os diferentes critérios valorativos”. Entendemos por critério valorativo o princípio ou condição que serve de base à valoração e que permite distinguir as coisas valiosas das não valiosas, e dentro das valiosas, as que são mais importantes e as que são menos importantes. Podemos ainda considerar três diferentes níveis de determinação dos mesmos critérios, são estes:
O Pessoal, refere-se ao íntimo de cada pessoa com as suas características pessoais: gostos, interesses, etc; o Colectivo, refere-se ao sujeito do ponto de vista social e cultural: os seus costumes, ideias ou formas de estar em grupo; e o Universal, refere-se ao sujeito como um ser-no-mundo: sensível aos outros, que coabitam o planeta, bem como ao próprio espaço habitado.
E assim completámos todos os objectivos de aula e a professora deu a aula como terminada.
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